Transitando entre o pop e o underground, ele comanda baile com seu nome e festas como Mixin´ e Dia.


Além dos bailes, Zeh Pretim ajudou a realizar eventos com Grandmaster Flash, Mayer Hawthorne, Mapei e Friendly Fires – Divulgação/Raul Aragão/I Hate / Divulgação/Raul Aragão/I Hate Flash

POR BRUNO NATAL – TRANSCULTURA 29/05/2015

RIO – Numa análise extrema da árida noite carioca, existem basicamente dois tipos de festas: as conceituais, com sons avançados para quem quer dançar, e as comerciais, em que as atrações musicais são quase secundárias e o objetivo principal é a pegação. Um lado costuma olhar feio para o outro. Nessa dicotomia, coitado de quem quer sair para escutar boas músicas e conhecer alguém. Foi nesse vácuo que um dos DJs mais atuantes da atual safra de festas cariocas resolveu entrar. Nascia assim seu alter ego: Zeh Pretim.

— Estava fazendo frilas de design para um amigo de infância, André Barros, que produzia várias festas, por isso tinha passe para todas. Eu não gostava dessa música eletrônica hoje conhecida como EDM, curtia festas de hip-hop, Calzone, Bailinho e Auslander — conta ele. — Nessa época eu já montava playlists para churrascos e passei a pesquisar como começar a ser DJ. É uma coisa um pouco difícil, não há um curso ou uma escola, os equipamentos são caríssimos. É preciso ir na marra.

O apelido veio da falta de opções, resgatando um codinome utilizado no MSN da primeira empresa em que trabalhou para despistar o chefe enquanto azarava uma menina que se sentava atrás dele. Como Paulo de Castro não é negro e não tem José em seu nome, surgiu o Zeh Pretim, nome que também utilizava no jogo “Counter Strike”. Antes do sucesso do Baile do Zeh Pretim, com 44 edições realizadas por todo o Brasil — a sessão de aniversário de quatro anos será dia 6 de junho, em local ainda não divulgado —, Barros deixava Zeh tocar em suas festas, antes de os convidados chegarem. Enquanto isso, ele ia tocando também em festas de amigos.

— Comecei a discotecar em horários mais privilegiados, até conquistar meu primeiro cachê. Faltavam mais opções de festas, e foi então que amigos me convenceram, em 2011, a fazer uma festa de aniversário. Na hora de divulgar para os amigos, chegamos à conclusão de que não seria bem uma festa e sim um baile, porque ia tocar de tudo. Então ficou Baile do Zeh Pretim — explica ele.

Enxergar espaços é uma das especialidades do designer de formação. Ainda atendendo como Paulo de Castro, participou da criação de alguns empreendimentos no universo do surfe. Como cofundador da marca de surfe Que! Lifestyle, sentiu a necessidade de uma agência para atender clientes do meio esportivo, e assim surgiu o Blackkat Studio. O negócio cresceu além dos limites da praia, e a necessidade de olhar pro mar deu vida à revista on-line “Blackwater”, vendida para um grupo editorial após apenas três edições. Hoje, Zeh trabalha somente com as festas.

— Comecei a receber muitos convites para discotecar, o Baile começou a tomar boa parte do meu tempo, os cachês foram melhorando, e aos poucos precisei estudar mais, pesquisar, planejar as festas, consequentemente fui deixando o design — conta. — Sempre me preocupei com a experiência e, ainda que fosse um lugar novo, não queria que no dia seguinte houvesse outra festa e que a experiência pudesse ser a mesma. Por isso, dou um gás na cenografia, locação, surpresas, todas marcas do Baile.

Além do Baile e da Mixin’ — festa de hip-hop que tem mais uma edição neste sábado, no Studio Line — Zeh produz as festas Dia, ZZ’s (com o DJ Zedoroque) e participa da Rocka Rocka. Tanto esforço conquistou o respeito de referências, como BNegão.

Ele entende de cultura urbana — afirma o rapper BNegão.

Sócio dos bares Sobe e Complex Esquina 111, Zeh já ajudou a realizar shows gratuitos de artistas como Mayer Hawthorne, Mapei e Friendly Fires. Na mais recente edição da festa Dia, a atração principal foi a lenda do hip-hop Grandmaster Flash.

O Zeh é um baita empreendedor, com visão e humildade — afirma Nepal, um dos DJs mais respeitados do Rio.

Marcelinho da Lua, outro bamba que já tocou nas festas do Zeh, destaca o respeito ao ofício de DJ:

O Zeh não quis ser só um fake DJ. Procurou se formar com os melhores, é apaixonado pelo universo dos DJs, tanto que convida para tocar no seu baile DJs que são respeitados na cultura do vinil, como Digitaldubs e Pachu.

Sobre a separação dos diferentes universos de festas da cidade, Zeh segue firme na missão de unificação.

— Nas minhas festas não tem área VIP, cercadinho nem camarote — garante. — Crio um clima em que todos são iguais. Isso é o que importa.

* Bruno Natal escreve na página Transcultura, publicada às sextas-feiras no Segundo Caderno

Confira a matéria no site do Jornal O Globo